“Como se tornar um educador de sucesso?” por Simão de Miranda

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Não sou vendedor de sonhos, posto que sonhos são experiências pessoais e intransferíveis! Claro que qualquer ser humano em interação assume o papel de co-construtor nos sonhos dos outros interagentes. De fato, eu não poderia jamais vender a você o sonho de ser feliz na docência; mas posso argumentar de forma tenaz sobre as possibilidades palpáveis e vívidas de fazer este sonho real, na medida em que formos conhecidos, reconhecidos e, fundamentalmente, autopercebidos como bons educadores! À semelhança daqueles cujas lembranças se cristalizaram reluzentemente nos baús das nossas memórias.

Após mais de vinte anos de docências, estudos e vivências em quase todos os níveis de ensino, em ambientes privados e públicos, depois de muitos anos também experienciando gestões e militâncias, todos eles vividos com uma feroz e feliz determinação, negociando todas as oscilações características à qualquer vivência, compartilho com você meus conselhos para se constituir como um educador que faz a diferença. Aquele que acredita que é a “educação” o pilar fundamental na construção da vida de um sujeito, não é o “ensino”. Senão, vejamos: enquanto “ensinar” é transmitir um conhecimento pontual, “educar” é fazer com que o conhecimento se transmute em sabedoria, a qual sirva para a vida toda. Do latim ensignare, ensinar é deixar sinais, portanto um movimento de colocar dentro; por sua vez, “educar”, na etimologia, é educere, “colocar para fora, retirar”.

Tal processo de retirada implica na idéia de um sujeito ativo, que promove a devolutiva ao mundo, em um processo de trocas dinâmicas, os significados que construiu a partir das interações que empreendeu com o ambiente sócio-historico-cultural. Ambos são processos importantes, todavia “educação” é o elemento que realmente serve ao homem não apenas na sua negociação da vida social, mas ao projeto de humanidade que nos esforçamos em construir. Entretanto, o ato de educar requer um olhar humanizado, sensível, afetivo, altruísta e deve considerar todo o cenário de subjetividades que este conceito integra. Bem a propósito, há uma oportuna e bela frase atribuída a Albert Einstein que confirma minha exposição: “educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola.”

Portanto, estes meus aconselhamentos desejam contribuir para que você reúna todas as condições para ser percebido um educador admirado, respeitado, inspirado e inspirador. E assim, sentir-se orgulhoso e recompensado com a atividade que exerce. Claro, somos cônscios dos sinais de arrefecimento que vez por outra nos rondam. Mas quero mostrar que ainda há poesia e há poetas, ainda há Quixotes e Dulcinéias, ainda há danças, contradanças e esperanças! E tais possibilidades residem no campo das ações cotidianas. E é disso que este livro trata. Aliás, faz bem lembrarmo-nos de que os pássaros e os aviões só voam porque têm o ar impondo-lhes resistência, colocando-se como obstáculo! Além disso, dispomos de centenas de situações que nos emocionam, nos alegram, nos inspiram e que devemos delas nos apropriar!

Meus parabéns por ter escolhido a docência como profissão (já começam felizes aqueles que a escolhem, e não estão nela por falta de escolha!) uma das atividades humanas mais realizadoras, dentre tantas outras! Minhas congratulações por fazer parte da única atividade humana onde o material de trabalho essencial são os sonhos! Assim, somos, legitimamente, educadores de sonhos e arquitetos de utopias! Mas não de sonhos quaisquer, e sim de sonhos que rompam horizontes, que rasguem os véus das exclusões, que impliquem em transformações! E, na escola, como simulacro da vida, sonhar não tem dia, não tem hora. Sonhar e ensinar a sonhar, dependem apenas de estado de espírito! A escola é o lugar onde se dá a consistência aos sonhos, nossos e de nossos alunos, pois são, os sonhos, a argamassa das pontes que uma educação humana e humanizadora se propõe a construir! E é aí onde o educador é chamado para operar. Pois, enquanto educadores, queremos que nossos alunos sejam infinitamente melhores que nós, que cheguem muito mais além de onde chegamos. E, para isso, os alunos só precisam ouvir de seus educadores, de modo verdadeiro:

“– Veja, eu estou ao seu alcance!”

É isto que deseja este livro, mostrar como podemos nos oferecer aos seus alcances. E, neste encontro, eles só necessitam que nós os inspiremos! Eles só carecem de asas. Só precisam que nós, seus educadores, lhes ensinemos a construir asas, voar eles aprendem voando.

 

Por: Simão de Miranda, Doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, Mestre em Educação na área de Formação e Trabalho Pedagógico pela Faculdade de Educação da mesma Universidade.

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